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Big crunch social
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014 || 01:07
Há dias, em conversa sobre objectivos de vida, um amigo de longa data disse-me que aquilo que mais queria era construir uma casa longe de tudo e de todos para viver a sua vida tranquilamente. Considerei tal hipótese pouco executável nos dias de hoje, em que se preza a proximidade aos grandes centros, à civilização, às pessoas, tornando essas vidas ermitas lirismos de outros tempos. Mas a esmagadora verdade caiu sobre mim: esta forçada aproximação (pelo menos geográfica) está a tornar-se apoteótica! Destroem-se os limites inter-pessoais, disputa-se espaço, posição social e até o último lugar vazio do comboio. Não há preocupações, só desconfianças disfarçadas de boas acções, duvidando-se de quem ainda se preocupa. Vivemos num mundo de segundas intenções. Já nada é feito com fim em si mesmo. Acabou a expansão, estamos a caminhar para um
big crunch social. Se o universo tendia naturalmente para o caos, atingimos o apogeu da entropia. Precisamos urgentemente de nos afastar. Precisamos de dar um tempo. Enquanto é tempo.