“just the beating of hearts, like two drums in the grey”
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karmel inv
domingo, 3 de outubro de 2010 || 16:22
Na manhã seguinte, já não estava a chover. Quando cheguei à zona dos cacifos apercebi-me que devia estar quase a tocar para entrar pois os corredores estavam cheios de alunos apressados.
Tinha acabado de fechar o cacifo quando…
- Olá. – disse uma voz atrás de mim – O meu nome é Laura. És o novo aluno, certo?
Ela tinha cabelos ondulados e compridos, loiros. A sua voz era tão fina que se tornava um bocado irritante. Tentei ser simpático:
- Sim. Chamo-me Karmel.
A expressão da Laura mostrava que estava muito curiosa. Ouvi uns risinhos mais atrás e só depois me apercebi dum grupo de raparigas que olhavam para nós, nada discretas.
- Oh, eu sei! – exclamou Laura, maneando o cabelo – Se precisares de alguma coisa, já sabes!
Ela não o disse com sinceridade, queria apenas que eu lhe desse a minha atenção. Convencida.
- Obrigado. – respondi-lhe com um sorriso forçado.
Fui salvo pelo toque da campainha. A Laura sorriu-me mais uma vez (sorrisinho idiota e superior) e dirigiu-se às raparigas que a esperavam.
Pensei no que o Raf me tinha dito… falar com humanos. Pessoas como a Laura? Longe! A Dafne estaria aqui em alguns dias, talvez isso me livrasse de grande contacto com os humanos.
Subi as escadas devagar. O professor ainda não tinha chegado. Tal como no dia anterior, os meus colegas tagarelavam animadamente. À excepção de uma rapariga que estava sentada no chão a ler um livro volumoso, muito quieta e concentrada, ignorando totalmente os restantes alunos.
De repente, os olhos dela ergueram-se e olharam na minha direcção. Roxos?! Os olhos dela eram roxos acinzentados, que estranho! Mas ela não estava a olhar para mim. Olhava para um rapaz moreno que subia as escadas com uns grandes headphones à volta do pescoço.
O rapaz chegou ao pé dela e tocou-lhe na ponta do nariz e sentou-se ao lado dela no chão. Ela sorriu largamente, um sorriso tão brilhante.
Eu previ que ela fechasse o livro e desse atenção ao rapaz. Mas não. Ela voltou a abrir o livro e ele pôs os
headphones. Ficaram assim, imóveis como se estivessem num mundo à parte, até o professor chegar.